Resenha: Hungria Hip Hop, ‘Um Pedido’

Ele não é um dos reppers mais falados pelos quatro cantos — mas tem vários milhões de visualizações em seus videoclipes, bilhões de acessos em seu canal e mais de 8 milhões de inscritos no YouTube. No entanto, ele é um artista 100% autêntico, talentoso e, no meu ponto de vista, trafega pela margem do movimento hip-hop atual. Quero dizer, sua música não se encaixa na falsa realidade que muitos abordam, mas mesmo assim ele se destaca, fez seu corre e hoje vive dele. Ele segue por uma trilha que ele mesmo criou, cuja fez dele um artista ímpar e de idéia forte.

Disponibilizado no YouTube no dia 7 de Junho de 2019 e chegando a quase 90 milhões de acessos, “Um Pedido” é um registro de suas lembranças, uma música recheada de fortes emoções que ele teve o ardor de juntar em poucos minutos.

A produção é uma coisa linda, absurdamente sinistra. O beat melódico, feito pelo Jhef (My House Produções) contém um ritmo envolvente, que se você se permitir ser persuadido pela música, se torna perceptível um piano gracioso dando vida à música. Durante todo o tempo nota-se uma produção simples mas com um grave delicioso e um clima que cativa o ouvinte.

 

Já pensou se ele tivesse parado, desistido no meio do caminho, quando a chuva escorria na telha e a mesa mais farta era a do vizinho? Muito provavelmente o rep não teria salvo sua vida, e ele continuaria se sentindo sozinho, incapaz de olhar para o espelho, mas capaz de exercer sua fé e expressar sua dor chorando de joelhos. Ele viu que precisava tomar uma atitude, ele estava afundando. E foi o que ele fez.

Suas lembranças vão do sonho das Audi, da fumaceira no breu, da playboyzada e dos Opala, e as queima de pneu até o dissabor de ter visto quatro amigos irem para o crime de otário, pois não tiveram sanidade para raciocinar e ver o quanto estavam se perdendo. No entanto, ele teve o prazer de ver cinco pretos na favela virar empresário e trazer inspiração. Gente que buscou o êxito e não quis esperá-lo cair do céu.

Tanto faz se sua mãe já chorou, se o sorriso dela tá tão lindo . . . é que hoje ele pode dar a ela um abraço mais puro, um carro, um vestido. E se fosse por quem já falou que o moleque não ia durar, que trocou o revólver no amor, quis cantar rep, não quis estudar, ele não seria ninguém.

Agora é champ(anhe) e nave rebaixada, ele prosperou! O jet no engate da danada, tudo fluiu! Fica tudo tão rápido que dali para a Riviera é quase nada! Agora, descendo a Baixada, sente a acelerada!

Um dia ele viu uma estrela cadente e fez um pedido: “Creio, fui atendido”, ele diz. Era só um menino brincando com os amigos. “Fiz aqui para relembrar aqueles que estavam dividindo o sorriso”, porque tudo o que ele acredita, não demora, ele conquista. Sua fé e perseverança sempre falaram mais alto.

 

Na sacada as modelos estão tomando sol; copo de 43 junto com Aperol; ele tem as correntes brilhando tipo farol; tipo jogador caro de futebol é a vida que leva agora. Prestes a encerrar, ele lança uma pergunta interessante “Quanto vale o poder do migué no ouvido de uma mulher?”

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